Mostrar mensagens com a etiqueta esquizofrenia paranoíca. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta esquizofrenia paranoíca. Mostrar todas as mensagens

11 outubro, 2013

Há noites que ninguém dorme.


No escuro tudo soa a imaginação, apercebi-me eu quando os dias deslizavam pela noite dentro e tudo se transformava. Os pensamentos transformavam-se em imagens e as imagens baloiçavam suavemente à minha frente. A noite é hora de introspecções e de auto-descobertas, de choros que o dia não pode ver e de medos que acariciam a pele. Ponho a pele a secar no estendal e deixo os órgãos respirarem, e deixo-me ficar estendida na cama e deixo de ser eu, que a pele está estendida e o corpo exposto, a alma meia adormecida e a mente em galope pelas ruínas do meu ser. Ninguém me visita porque não apago a luz, espreito pelo canto do olho e não vejo ninguém, corto o silêncio com um suspiro mas também não peço a ninguém para vir. A noite é torturante. A noite sussurra-me segredos ao ouvido, reaviva-me memórias e fecha as suas palmas frias em torno do meu peito. Sinto-me inútil, quando a noite me abraça. Sinto-me um farrapo, como se a pele de manhã não me fosse voltar a servir, porque o corpo expandiu-se, cheio de medos e tristezas. E a noite mata-me por dentro, quando quer. Mas não consigo deixar de gotar dela, do mansinho com que me faz querer acordar de manhã a pensar que é outro dia. Mas é tudo igual. A noite apenas me faz lembrar de quem eu sou.

17 agosto, 2013

efemeridades apenas contidas num suspiro



Por vezes pergunto-me se nos conseguimos aperceber da própria efemeridade da vida, que de tão longa tem apenas o quê de que os anos se vão encurtando. Somos carne frágil que alberga pouco mais que uma mente em que a kryptonite é nada mais, nada menos que o próprio pensamente falacioso e abismal, e cortam-se as barreiras da sanidade e de tudo o que é canto de terra espreita algo que antes não lá estava, o espelho já não mostra carne sobre músculo sobre osso mas sim as feições retorcidas de algo que não identificamos mas compreendemos, porque no fundo de nós tudo é compreendido. As iluminações divinas são apenas fruto de uma mente que se libertou das amarras enferrujadas de algo que o humano criou - as doces palavras a agriolhar a garganta, apertanto até ficar sem respiração - e escrevemos histórias em papeís porque escrevê-las em carne e sangue é para aqueles a quem a vida significa mais que a própria alma; a vida que há de vir, assim se entenda, porque esta é um peso nos ombros e os ombros são frágeis como os de uma menininha subnutrida esquecida nas ruas frias. Já não entendo bem do que escrevo. Se me fartei de andar a vergar a cabeça à vida, as vénias sucessivas a reis e rainhas imaginários sem coroa e com barrigas cheias de um nada que se lhes entranha no sangue. Temos todos pulmões corroídos e coração escavados, mutilados porque não dá para mais nem para menos. Andamos a morrer antes de atingirmos o chão. Mortos em combate. Mortos em batalhas internas que são afogadas em medicação que queima o fígado e os rins, que abre as cicatrizes e rasga a pele até lhes deitar sal em cima para as purificar. Falta-nos jardins interiores onde consigamos ver a nossa própria efemeridade, e aprender a aceitá-la; as borboletas sabem que vão morrer em menos tempo que um suspiro de titã, e passam a vida rodeadas de jardins, as pétalas morrem no chão duro e as flores murcham e tudo muda porque matamos os jardins que queremos, sendo os nossos ou não. Somos menos que um suspiro moribundo de uma estrela, somos menos que a rotação completa de um planeta longínquo à volta do seu sol, e somos menos do que as estrelas que nos servem de teto. Somos humanos, egoisticamente orgulhosos, e eu orgulho-me dos nossos peitos orgulhosamente esmagados.

28 julho, 2013

adormecer não me fará viver um dia

Desenterrei a cabeça dos cobertores, e o tempo parecia estagnado. Pelo menos assim me cheirava, porque os olhos continuavam cerrados pelo sono e pela luz forte que entrava pelas persianas abertas. Cheirava a estagnado, portanto, um cheiro metálico que me arranhava a garganta. Ou talvez fosse um produto da minha mete estagnada num lodaçal de pensamentos obscuros. Lodaçal de pensamentos. Adoro esta imagem metafórica. Faz-me sentir que a minha cabeça se afunda suavemente num espesso rio de lama negra, como se de areias movediças se tratasse. Mesmo assim, já consegui retirar a cabeça da carapaça de cobertores em que me enterrei e refugiei, por isso, acredito que já seja algo. A luz forte do sol engana-me, está frio lá fora e por vezes chove, como se com o meu estado algo depressivo tivesse trazido um tempo menos agradável - se for isso, peço desculpas. Mas porque iria o tempo reger-se por mim, e não por alguém algo mais alegre, que traga o sol encerrado no peito? Quanto a isso, acho que não tenho resposta. Consigo pelo menos arranjar força mental para atirar as cobertas para o lado e acordar de vez. É só preciso um milésimo de segundo de uma incrível força mental, como aquela que precisamos para levantarmo-nos da cama num dia de Inverno. Aqui vai.

13 julho, 2013

escreve quando te aperta o peito

borbulham as palavras, cozinhadas num tacho lento de ansiedade
a verdade é que se se sentem desejosas por sair, e desejosas por sair estarão,
lembrar-se-ão certamente que estão enterlaçadas com a capacidade
-sempre frustrante, sempre frágil-
de os dedos serem rápidos o suficiente, ou se um dia se acaba papel e só se pode ir buscar no outro
perdem-se palavras, perdem-se vidas, perdem-se mundos.

se um dia se impedem que saía, as expressões mortas em linha no chão
a tinta não escorre sem previamente ser humedecida pela vontade que antecipa a escrita
e se um dia já não se acredita que se escreve, mas que se arranha o papel,
um dia a escrita morre, e tudo morre com ela.

e quando nos encontramos tão encerrados em nós, naquele local
- aquele onde as coisas más acontecem -
e sentimos que nada é o que deve de ser, sabemos sentir que tudo está errado,
mas e se por ventura está tudo certo, errado se fará tudo, porque assim terá de ser.

perder-se em devaneios, enquanto existe peso para ser levantando do peito
o peito não canta quando está atrofiado e se existe algum jeito de ser salvo este amor
eu já o teria arranjado, creio eu, cremos nós.

o problema não são as palavras, elas são companheiras fieís em dias de pobreza de espírito,
o problema está na alma de quem escreve, e se a alma se corrompeu,
se a alma não acredita que escreve
se a alma já não sabe o que é escrever
como pode a escrita sobreviver?

04 julho, 2013

introspeção noturna, devaneios da madrugada.



Queimam-se-me as pestanas em noites destas; espero que o sol nasça, por medo da noite, e do que ela advém. Sou pessoa com muitos demónios para exorcizar, mas por vezes ainda sou criança com medo do escuro e escondo-me debaixo das cobertas. Ninguém me vê, ninguém me toca. Ou então permaneço com a luz ligada, a contar as horas para o nascer do sol e puder finalmente subir a persianas e adormecer. Queimam-se-me as pernas com o calor corrosivo de um portátil plantado e quase colado à pele. Tenho banda sonora de trinado de pássaros, uivos de lobos e por vezes uma ou outra alma perdida que desconhece que a noite é apenas para aqueles que a cabeça – ou o coração – não deixam dormir. Refletir sobre a vida faz-se de noite, quando esta abranda, slow motion de um filme em tempo real, dá tempo para pôr pensamentos em turbilhão e remoer tudo o que posso existir dentro do córtex cerebral. Chega-se a um estado quase semelhante ao Nirvana, o sono apaga tudo, mantém-se a cabeça limpa e apenas o corpo trabalha: os dedos, os dedos a martelarem no teclado, e os olhos a lutarem para não se fecharem. Quase que oiço o meu cérebro a implorar por descanso, “Vai dormir Sofia”, não vou nada que ainda são cinco e meia da manhã e eu quero que o sol chegue primeiro que o meu sono. A natureza é desperta durante as horas frescas da madrugada, como uma canção de embalar, neste momento é tudo uma canção de embalar e até eu me embalo com nada menos que simples pensamentos. Há sempre uma doce exaustão que recompensa ficar acordada pela noite dentro; um sentimento de sobrevivência infantil que diz que ainda aqui estou, nada me apanhou, nada de monstros debaixo da cama, os dentro da cabeça estão a rédea curta, não me preocupo com esses. Três da manhã é uma hora como qualquer outra para meter a conversa em dia, mesmo que agora quase que nem me lembre do que falei, ou se sequer falei de algo que se aproveite. Sei que me revoltei contra tudo e todos, como faço sempre, mania de ser do contra, tenho de aprender a estar calada, mas se me calo depois ainda entupo uma veia ou algo pior. Apenas consigo sentir-me demasiado ofendida por viver numa época em que as pessoas usam apenas um décimo dos neurónios que têm – não sei se é porque se esquecem que têm mais, se queimaram os outros, se o raio que as parta – e que, para puxarem pelas engrenagens, precisam de um pontapé especial no rabo e, quem sabe, um abanão daqueles enormes. Perdi-me já no que escrevia, perdi o fio condutor, lembrei-me de olhar pela janela e o céu clareou para um tom de azul carregado delicioso.  Estou mesmo exausta, o meu cérebro quase que se arrasta, quase que o sinto a pedir por favor para eu parar. Mas eu não quero parar, quero escrever, estes momentos de vontade doida de apenas escrever, nem que seja palavras soltas, frases sem nexo, mas desde que preencha espaços em branco, tudo bem, por mim, tudo bem. Chamo a isto uma introspeção noturna: e como tema tenho a dizer que sinto a falta da Escrita. Já lá vão uns anos desde que escrevi algo que fosse uma história minimamente original e bem escrito – modéstia à parte, tenho a noção de que consigo escrever bastante bem, quando calha o engenho e a arte – e ainda me admiro como é que alguém com os seus 14/15 anos conseguiu puxar da manga textos com um tom de negro obscuro tão deliciosamente macabros. E, mais tarde, como é que uma criança de 15/16 anos conseguia escrever textos sobre mágoas e perdas e corações partidos. Eu acho que o meu partiu-se quando nasci: gritei ao mundo e o mundo apenas deu-me um encolher de ombros sarcástico, foi o suficiente para me destruir. Por vezes penso se não nasci com uma alma demasiado velha para um corpo tão novo – vivi mil vidas, viverei mais mil -, e pergunto-me se não nasci numa realidade que não foi adequada a mim. Ou então, não me adequei à realidade. Ou abrir um parêntesis imaginário para refletir sobre os curtos quase-18 anos de vida que resolvi viver até agora: sei que metade deles foi mergulhado numa depressão auto-induzida por uma personalidade híper-sensível e sem as defesas adequadas, sei que criei máscaras e todas elas caíram, e eu refiz, adequei-as a um novo temperamento explosivo, sensível ao toque, sensível às palavras, protegida pelo humor corrosivo do sarcasmo e da ironia. Gelei até aos ossos, que as pessoas frias criam-se, não nascem assim, e fria ficarei até um dia acreditar que é seguro o suficiente deixar de o ser. Por vezes gostava de ter nascido com a mente fechada, feliz na ignorância e no não saber o que é pensar até à exaustão – as parecenças com Fernando Pessoa tornam-se assustadoras por vezes, um dia já nem sei se sou ortónimo ou heterónimo -, já passei noite em branco afogada em pensamentos, em palavras, e lágrimas até, uma ou outra vez fez-se sangue e as marcas ainda cá estão. Não quero palavras de pena, não quero que me levantem estátuas e me chamem heroína, não quero drogas que me matem a infelicidade, nem drogas que a façam pior. Deixem-me fazer arte do meu caos, um dia podem-me agradecer. Parte de mim ainda mantém a pureza fresca de uma idealista sonhadora presa em mundos de imaginação, parte de mim será sempre criança, será sempre ingénua no amor, na vida, no mundo. Nasci escritora, e ainda bem, morrerei escritora, posso ser escritora escondida nos cantos da casa, manuscritos e cartas enfiados em gavetas, perdidos, e eu morrerei feliz porque escreverei sempre com o mesmo amor que uma mãe dá a um filho. Não conheci amor maior do que tenho agora por um dom que é saber escrever – e escrever bem, e gostar daquilo que se escreve. Não tenho amor maior que tenho pela minha mente caótica, que me proporciona mundos e fundos. Não, de momento, não tenho amor maior do que saber que serei eterna desde que algumas palavras minhas fiquem cá, mesmo que enterradas algures. Essa ideia dá-me uma certa paz, um certo calor no centro do peito. E agora, seis da manhã feitas, sol a nascer glorioso, e finalmente posso dormir, os monstros foram-se embora, os fantasmas também, os esqueletos voltaram para o armário e eu estou, finalmente, livre para adormecer assim que fechar os olhos, e sei que terei sonhos apáticos; não sonharei com nada.

26 junho, 2013

to Bad, from Evil


What to do when you just finished your english exam and you sit there, letting this heat cook you up and thinking about how thirsty or sad or tired you are and this million suicide ideas going through your mind and it has a familiar taste, I think you do it out of sport or habit and never as a real gateway of this life. What scares you, little girl? The fact that you're not sure if you are really yourself or if this other voice you hear is your own rationalization - you created it, or it just appeared, honey? - but it scares you because it's your brain and, oh, look, you still have half an hour left to sit there and think of how miserable you are or how much miserable someone - something - is making you be. I think you're terrified of yourself and I think you realized that you won't live long. You realized it this morning, after that half-baked night waiting for the sun to come out and give you some peace of mind. You're so curious of what's scarying you, what's haunting you, you want to find explanation to this miserable existence of yours, you want someone to tell you how special you are, how powerful your soul is, but you know your soul is old and rather tainted: now what? 

You don't let love come in, darling, you only allow hate and jealousy and remorse enter, and you stir them up, boil them in a cold, burning rage that goes all the way up to your bones, pressures your skull and doesn't allow you to breath, sometimes. You are scared they will open you up and find nothing inside of you, no good, no evil, no light, no abyss, and you'll just be plain old Sofia, being forgot as all humans are. So, my dear, in this letter for you, using your own fingers to write down this words, you might think you're starting to develop some kind of bipolar disorder, or the signs of schizophrenia are starting to show up. But I have yet so many wonderful things to tell you: the demon inside your head, the one you might fear that doesn't exist. I quite pitty you, sometimes, as you find yourself in ways to end up dead at age of 25 just because life is too hard on you or, in other way to see it, you're just not strong enough for this life. You can't even exorcise your own demons, and that made you a even worse demon for yourself that I could ever be. You with you could see me, smilling with my razor-shaped teeth, and boody, red eyes in the mirror, you wish you could feel the fear running through your veins but at least you would know what is real and what is not. Why today?, you may ask. 

Well, what a better time to write to you, my dear, if not right before the time that will take you to self-destruct yourself. Again. So, as my time for you come to an end, I find myself wishing you the best I can. See you in your dreams.