05 fevereiro, 2014

raivas

queria partir a loiça, estilhaçá-la por completo, 
              assim
 em
            pedaços 
                                dispersos

queria incendiar a casa, mandar mobília pela porta fora, rasgar tudo até o meu coração se sentir tão cheio de contentamento que acabaria por explodir e eu morreria com um sorriso nos lábios.
mente estagna, porcaria de mente estagnada, porcaria de cabeça que se deteriora a cada dia em vez de evoluir, porcaria de palavras que se escondem em recantos em vez de brincarem livremente na ponta dos meus dedos, como se tivessem medo de mim, escondem-se debaixo da cama e prendem a respiração
       como se eu fosse comê-las assim, por inteiro
a vontade infinita de escrever - vontade física mesmo, quando o corpo pede como pediria por heroína o corpo de um drogado, o corpo aquece a espinha e aumenta oito compassos ao coração, tremeluzem as mãos como velas sopradas pelo vento e há aquela horrível necessidade de escrever qualquer coisa, nem que seja uma palavra mas fico a olhar para páginas brancas, páginas de caderno, documentos no computador, paredes brancas e dá-me vontade de rasgá-las a todas, de pedir ao raio da cabeça que deixe de criar barreiras para aquilo que quero escrever, que me DEIXE ESCREVER POR AMOR DE DEUS.

2 comentários:

  1. Se isto for o teu estagnamento na escrita, não estás assim em tão grandes sarilhos. És genial Sofia :)

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  2. A escrita vem, a escrita vai. Uma dádiva e maldição agridoce ao mesmo tempo.
    Como te sinto, aqui bem dentro de mim, porque sei do que falas. Nós barricamo-nos do mundo, e a escrita afasta-se de nós. Como calar essa amargura... como pertencer a esse mundo...?

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